FILARMÓNICA UNIÃO PROGRESSO

DE

GUADALUPE

 

 

CERIMÓNIA OFICIAL

 

COMEMORAÇÃO DOS 45 ANOS DA F.U.P.G. – 1963-2008

 

Discurso do Presidente da Direcção - José Manuel da Silva Gregório

         Exmo. Sr. Deputado pela ilha Graciosa, Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Municipal, Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal, Exmo. Sr. Director do Museu, Exmo. Sr. Padre Dinis Silveira,  Exmo. Sr. Presidente da Filarmónica Recreio dos Artistas, Exmo. Sr. Presidente do Sport Clube de Guadalupe, demais convidados, minhas senhoras e meus senhores.

         Eis-nos volvidos a 29 de Setembro de 1963, data da fundação da Filarmónica União Progresso de Guadalupe.

         A ideia de fundar a Filarmónica União Progresso de Guadalupe surgiu no então designado Clube Central e Recreativo, hoje designado de Sport Clube de Guadalupe, quando era Presidente da Direcção o Sr. Gabriel Correia Pacheco de Melo, sendo a data da inauguração no dia 29 de Setembro de 1963, sob a Direcção de Presidente, o Sr. Celestino Medina Melo, Secretário, o Sr. Gualdino Medina e Tesoureiro, o Sr. Dorgival Correia de Melo.

         O que presidiu à criação de uma Filarmónica na Freguesia de Guadalupe foi, segundo a acta de 29 de Setembro de 1963 “ a existência de uma Filarmónica nesta freguesia de Guadalupe, considerada a mais rica e populosa do Concelho, era uma necessidade que há muito se fazia sentir, e por isso se impunha aos guadalupenses amantes do progresso e do prestígio da sua freguesia, que metessem ombros a tão simpático empreendimento, tendo em conta a utilidade e o prestígio artístico que dele haviam de resultar par o seu meio. (…) a população, num gesto verdadeiramente edificante ocorria com o seu apoio financeiro e moral que em boa verdade constitui precioso incentivo para que viesse a concretizar-se em consuladora realidade uma ideia que de início pareceu quase impossível. Assim, após um trabalho persistente, em que houve de vencer-se, como é natural, inúmeras dificuldades, é com a mais viva satisfação que a Direcção constata encontrar-se devidamente constituído o primeiro agrupamento musical desta freguesia”.

         Se hoje celebramos 45 anos da fundação desta Filarmónica temos de reconhecer e agradecer aqueles que ousaram fundá-la, num contexto bem diferente do actual, em que os custos para aquisição dos instrumentos foram exclusivamente de cidadãos fenteitores desta freguesia, que entenderam o bem cultural que a Filarmónica iria trazer para este local. Bem haja a todos os que contribuíram, com sacrifico as verbas necessárias. Quer aqueles que hoje vamos homenagear e que os nomes constam da acta da fundação da filarmónica, quer aqueles anónimos que também contribuíram com aquilo que podiam.

 

Minhas Senhoras e meus Senhores.

 

         Na acta que já fiz alusão, foi decidido “ atribuir a categoria de beneméritos a todos os sócios e respectivas famílias que residam no mesmo lar que contribuíram para esta Filarmónica com quantia igual ou superior a quinhentos escudos, reservando-lhes a regalia de beneficiarem de tocatas gratuitas enquanto vivos forem, tanto nos funerais como nas coroações do Divino Espírito Santo”.

         Ao celebrarmos os 45 anos queremos fazer uma justa homenagem e cumprir o que ficou estabelecido por aqueles que foram os fundadores, embora para a maioria seja uma homenagem póstuma. Nesse sentido, hoje vamos prestar uma simples homenagem, mas sentida e reconhecida, a todos os que contribuíram com a soma supramencionada para a Filarmónica. Queremos também, pedir perdão por não termos cumprido o que ficou estipulado em acta de 29 de Setembro de 1963 e volto a citar “reservando-lhes a regalia de beneficiarem de tocatas gratuitas enquanto vivos forem, tanto nos funerais como nas coroações do Divino Espírito Santo”. Ao pedirmos perdão, reconhecemos que não foi cumprido em relação a todos o que estava estipulado, mas quero também afirmar que, com este pedido de desculpas, não estamos a culpabilizar nenhuma das Direcções desta Filarmónica. Somos nós, não aqui e agora que o assumimos com humildade, sem culpabilizar ninguém. Esta Direcção achou que o momento era o oportuno e como tal assim o decidimos fazer.

         Coisa tão pouco comum, como o pedir perdão, é uma obrigação imperiosa porque a sociedade ocidental, nasceu sob os princípios da Igreja Católica. Não devemos ter vergonha de demonstrar os valores cristãos e manifestá-los, mesmo quando estamos a representar as instituições.

         Às famílias, a quem não se cumpriu esta decisão dos fundadores, peço-vos que aceitem o nosso reconhecido pedido de desculpas.

 

Minhas Senhoras e meus Senhores.

 

         Se hoje, é dia de festa, não posso deixar passar esta data sem comentar algumas opiniões feitas sobre esta Filarmónica aquando do Concerto do Inatel no dia 1 de Dezembro em Santa Cruz. Os comentários há nossa não participação nesse Concerto, por pessoas alheias a esta Filarmónica e as quais não conheciam a verdadeira razão, só posso considerar de lamentável. Lamentável pelo facto de intitularem esta Filarmónica de irresponsável, quando nós sempre cumprimos os nossos deveres a que somos convidados ou solicitados de forma gratuita. Para o demonstrar, esta Filarmónica ao longo do corrente ano actuou 42 vezes, tendo sido 13 tocatas gratuitas. Creio ser prova da nossa missão social, na freguesia a que pertencemos.

         A razão que levou à decisão de não participarmos no dito concerto prende-se única e exclusivamente com questões de trabalho destas mulheres e destes homens que são executantes desta Filarmónica. Se alguns ganham muito fazendo pouco, por certo os nossos executantes, infelizmente, não ganham assim tanto. Por isso, aos fins-de-semana e feriados têm a sua vida organizada para o trabalho extra às suas profissões e que todos vós bem o sabeis. Quando as datas são agendadas com antecedência, nunca deixámos de honrar os nossos compromissos. Não inventem questões de querelas entre filarmónicas quando são alimentadas por aqueles que pouco ou nada têm para fazer. Felizmente, os nossos executantes são mulheres e homens de trabalho, mas que amam a música e dedicam-se anualmente mais do que um dia por semana à noite, durante uma hora e meia a duas horas de ensaios e durante a época festiva estão prontos para tocarem aos fins-de-semana.

         Quanto ao comentário sobre a hipótese de adquirirmos uma sede, ainda é um assunto interno e que diz respeito à Assembleia desta Filarmónica. Como tal, não vejo qual o interesse de em público e num dia que é dedicado à música das bandas filarmónicas, fazer comentários desmerecedores sobre o interesse desta Filarmónica em adquirir uma sede. Será que o trabalho de 45 anos de existência desta Filarmónica não justifica a aquisição de um espaço digno para a qualidade do trabalho que esta Filarmónica alcançou? Estou apenas há um ano a trabalhar nesta Filarmónica, mas permitam-me dizê-lo em alto e bom som, é a hora, é uma necessidade sim. Como os seus fundadores disseram, aquando da sua fundação “após um trabalho persistente, em que houve de vencer-se, como é natural, inúmeras dificuldades”, nós também cá estamos para lutar por aquilo que consideramos ser justo e razoável. Estou certo de que os Guadalupenses, também comungaram desta nossa ideia. Se tal se vier a concretizar é mais um valor patrimonial para a Freguesia, contribuirá para a qualidade do nosso trabalho e quem sabe se poderá contribuir para dar mais alguma qualidade de vida ao nível social.

 

Minhas Senhoras e meus Senhores.

 

         A Filarmónica União Progresso de Guadalupe é uma riqueza cultural para a Freguesia, que anima as festas religiosas, profanas e actos oficiais. Deparamos actualmente com a realidade de vermos partir os nossos jovens para frequentarem o ensino profissional ou superior. Entre o tempo das férias as filarmónicas ficam empobrecidas, pela falta de executantes e que a custo cumprem alguns compromissos, reflectindo-se na qualidade das execuções.

         Hoje, quero de uma forma particular saudar vivamente os jovens desta Freguesia que como executantes, quando regressam para gozar alguns dias de férias, continuam a fies à sua Filarmónica e com o mesmo gosto pela música. Que exemplo de dedicação e de gosto por aquilo que é da sua Freguesia.

         Agora também podemos perguntar a quem de direito, o que estamos a fazer para fixar os nossos jovens após concluírem a sua formação académica. Este assunto, sim, diz-nos e de que maneira, respeito à Filarmónica e à sua continuidade.

         As dificuldades não são apenas humanas, também são materiais. Sem retirar méritos a todas as Filarmónicas de todas as ilhas, as das ilhas mais pequenas, como o caso da nossa, não têm onde recorrer a determinados recursos. A começar pelo preço das tocatas que é em muito superior aos valores que se pratica na Graciosa, assim como os subsídios das Câmaras Municipais e um olhar mais atento aos subsídios governamentais. Por isso, recorremos a jantares ou outras formas de angariar fundos.

        

         Minhas Senhoras e meus Senhores.

 

         Termino, dirigindo-me aos executantes da Filarmónica União Progresso de Guadalupe.

A todos os executantes desta Filarmónica, quero expressar publicamente a minha gratidão por poder trabalhar convosco e o quanto aprecio o vosso esforço, empenho, dedicação, tenacidade e amor à música, que é a linguagem universal. A todos vós continuai com a mesma dedicação e a vós jovens estudantes nunca, mas nunca vos esqueceis da vossa filarmónica e teimosamente reclamai daqueles que têm a obrigação de criar as condições para que possais regressar à vossa ilha.

Uma saudação particular ao Almarim, músico desta filarmónica, que quando regressa à sua terra Natal participa nos ensaios e nas tocatas. O nosso reconhecido agradecimento pela sua colaboração.

Saúdo também o nosso maestro, Sr. Manuel Eduardo pelo trabalho e dedicação à Filarmónica de uma forma abnegada e sempre disponível.

         Tenho dito.

                                                       27 de Dezembro de 2008

 

publicado por fupg às 22:29